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O perigo não está apenas na comparação
Quando uma pessoa passa muito tempo acreditando que a vida dos outros é extraordinária e a sua é comum demais, pode começar a interpretar a própria existência como um fracasso. E isso pode alimentar sentimentos de inadequação, baixa autoestima, ansiedade, insatisfação corporal e uma necessidade constante de aprovação.
A pessoa não olha mais para a própria vida para perguntar: “Eu estou feliz com o que tenho construído?”
Ela olha para os outros e pergunta: “Por que eu não tenho isso?”
São perguntas completamente diferentes.
A primeira nos coloca em contato com nossos desejos. A segunda pode nos aprisionar em uma comparação interminável.
Porque sempre haverá alguém com uma casa maior, alguém viajando para um lugar mais distante, alguém com um corpo diferente, alguém ganhando mais dinheiro, alguém recebendo mais atenção, alguém aparentemente mais feliz.
Se a nossa régua for sempre o outro, nunca chegaremos ao ponto de medir a nossa própria vida.
E talvez essa seja uma das consequências mais silenciosas das redes sociais: elas podem fazer com que deixemos de perguntar se estamos vivendo de acordo com aquilo que realmente desejamos e passemos a perguntar se estamos vivendo de acordo com aquilo que os outros parecem ter.
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