Estamos perdendo o prazer do suficiente
Talvez uma das maiores armadilhas seja fazer com que aquilo que antes nos satisfazia passe a parecer pouco.
Uma viagem simples começa a parecer pequena diante de uma viagem internacional. Um apartamento confortável parece insuficiente diante de uma casa de revista. Um corpo saudável parece inadequado diante de imagens excessivamente produzidas. Um relacionamento tranquilo parece sem graça diante das declarações públicas de paixão. Um domingo em casa começa a parecer desperdício diante de tantas pessoas aparentemente aproveitando intensamente cada minuto.
E, aos poucos, aquilo que era suficiente deixa de ser.
Precisamos de mais. Mais beleza. Mais dinheiro. Mais viagens. Mais reconhecimento. Mais experiências. Mais curtidas. Mais produtividade. Mais aparência de felicidade.
Até que a própria felicidade passa a parecer uma performance.
Talvez seja importante perguntar o que aconteceu com a palavra “suficiente”. Quando foi que ter o bastante passou a parecer fracasso? Quando foi que descansar passou a parecer improdutivo? Quando foi que um domingo tranquilo passou a precisar ser preenchido? Quando foi que uma vida confortável deixou de ser suficiente porque alguém, em algum lugar, parece estar vivendo mais?
Não precisamos desejar menos. Mas talvez precisemos reaprender a reconhecer quando já temos o bastante.
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