Talvez precisemos reaprender a olhar
Não se trata de demonizar as redes sociais. Elas também aproximam pessoas, informam, divertem, inspiram, ajudam negócios, registram momentos e permitem encontros que antes seriam impossíveis.
O problema começa quando o mundo virtual passa a funcionar como uma régua permanente para avaliar o valor da nossa existência.
Talvez seja necessário recuperar uma habilidade que parece simples, mas que estamos perdendo: olhar para a própria vida sem considerá-la inferior à vida editada de outra pessoa.
Olhar para uma manhã comum e perceber que ela também é uma manhã da nossa história.
Valorizar o café, a conversa, o abraço, o silêncio, a casa, o trabalho, o descanso, a família, os amigos, o animal de estimação, a comida simples, a roupa confortável, o domingo sem programação, a noite em que ninguém fez nada extraordinário.
Porque existe uma verdade que nenhuma fotografia consegue esconder: a maior parte da vida acontece justamente quando ninguém está fotografando.
Talvez seja preciso voltar a olhar para esses momentos. Não para transformá-los em conteúdo. Mas simplesmente para vivê-los.
E talvez seja aí que esteja a verdadeira riqueza.
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